E depois que acaba?
Depois que meu pai faleceu, essa pergunta surgiu na minha cabeça. Enquanto recebia as condolências e todos estavam mergulhados naquela atmosfera de tristeza, eu olhava o caixão e pensava em tudo que vivemos, em tudo que podíamos viver, nas coisas que deixamos de dizer um ao outro, nos momentos que não compartilharíamos mais, enfim, realmente passa um filme na cabeça que dura alguns segundos. No fundo eu sabia que não adiantava pensar muito sobre, pois havia acabado ali um pedaço da minha história. Todas as noites que passei no hospital foram difíceis, não sei explicar tudo que senti enquanto ajudava a cuidar do meu pai, nem tudo que me passava na cabeça nos momentos de medo, eu apenas agia. Tinha que limpar as fezes? Vamos lá. Tinha que dar comida na boca? Vamos lá. Dar banho, trocar fralda, dar remédio, falar uma besteira ou outra pra descontrair, vamos lá. Me sentia em um looping eterno, nossa vida se resumia a pensar que um dia aquilo acabaria e estaríamo...